segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O QUE ACONTECE QUANDO SE AERA UM VINHO ? QUAL O SIGNIFICADO DE AERAÇÃO DO VINHO ?


Expondo o vinho ao ar ocorrem duas coisas: inicia oxidação e a evaporação. Oxidação é o que faz uma maçã ficar marrom depois que você a corta, e evaporação é o processo pelo qual um liquido se torna vapor. O vinho é composto por uma centena de elementos, e com a aeração, geralmente os compostos aromáticos indesejados irão evaporar mais rápido do que os desejados.
Existem alguns compostos particulares que são reduzidos com aeração, tais como sulfitos, que são adicionados ao vinho para prevenir oxidação e atividade microbial mas que tem um odor semelhante a palito de fósforo queimado e sulfidos que o odr se assemelha a ovo podre e casca de cebola. Etanol é um composto altamente volátil que pode estar muito presente logo que você abre a garrafa, mas com a aeração desaparece.

CULTURA DA VINHA.




Solo


O solo é um elemento decisivo na escolha do local de plantação da vinha, pois é a partir dele que a vinha vai receber a sua alimentação. Assim, antes de iniciar a plantação é preciso realizar alguns trabalhos de preparação e adubação do solo. Para a videira se desenvolver corretamente é necessário que a raiz tenha espaço no solo para crescer. É importante que se aumente a drenagem interna dos terrenos e o poder de retenção de água no solo. Além disso, deve-se proceder à análise de solos para determinar quais os elementos que devem ser enterrados em profundidade para constituírem uma boa reserva de nutrientes.




Porta-enxerto


No final do século XIX toda a Europa foi invadida pela filoxera, uma doença provocada por um inseto, que devastou muitas vinhas. Ao tentar combater esta doença fatal, descobriu-se que as raízes das videiras americanas eram resistentes ao inseto. A partir daí, começou-se a enxertar as videiras, isto é, utiliza-se uma raiz de origem americana e a parte superior de origem européia, que determina o fruto produzido. O porta-enxerto deve ser escolhido de acordo com o solo e o tipo de casta.




Castas


As videiras mais cultivadas são da espécie vitis-vinifera. As castas são variedades da videira e devem ser selecionadas de acordo com o solo, o clima e o tipo de vinho a produzir. A mesma casta origina vinhos completamente distintos de acordo com o solo e clima, embora possuam alguns componentes aromáticos que persistem independentemente desses fatores. Em cada região demarcada existem castas recomendadas que se destacam devido à sua elevada qualidade, excelência e adaptação local à produção de vinhos.




Enxertia


A enxertia é o processo de unir a parte aérea da planta (folha, caule, uvas) de origem européia com uma raiz de origem americana (designada de porta-enxerto) de forma a constituir uma só planta. O enxerto pode ser ligado através do método de garfo (utiliza um fragmento de ramo) ou de borbulha (utiliza um fragmento de casca que contem um olho), mas o comum é ser utilizado o método de garfo. A enxertia deve ser realizada a uma temperatura que ronde os 20º-25ºC, pois a esta temperatura há uma grande atividade celular e os elementos da planta produzem muitos tecidos cicatrizais, o que facilita a união dos dois elementos. Hoje em dia, é possível adquirir no mercado enxertos “prontos”, isto é, prontos a serem plantados.




Plantação e condução da vinha


A plantação da vinha inicia-se entre o mês de janeiro e março, quando ocorre a época de repouso vegetativo. Nos locais frios e unidos a plantação deve ser mais tardia do que nas zonas quentes e secas. A condução da vinha diz respeito à distribuição das videiras no solo, ou seja, o modo como a vinha se distribui no campo e se estrutura o desenvolvimento da planta. É essencial para a boa qualidade das uvas produzidas e tem como objetivo proporcionar as melhores condições de desenvolvimento da planta de acordo com o meio envolvente. Existem formas de condução tradicionais e modernas, mas todas têm uma finalidade em comum: permitir que a luz solar chegue aos cachos, que de outra forma seria encoberta pelas folhas da videira.




Poda e empa


A poda é a operação que consiste no corte de uma parte dos ramos da videira. Os seus objetivos são proporcionar melhores condições de produção e equilíbrio entre a planta e a sua vegetação, caso contrário a videira produz muitos cachos de bagos pequenos e de fraca qualidade. Se a poda se realizar após a vindima, quando a videira não tem folhas, é a poda de Inverno: a videira está em descanso vegetativo e os efeitos da poda na planta destinam-se a preparar a produção do ano seguinte. Se a poda for realizada quando a videira já tem folhas, é designada de poda em verde. Esta poda enfraquece a expansão vegetativa e os recursos da planta são mais dirigidos para os cachos.A empa consiste em dobrar e amarrar a vara que resulta da poda a um tutor (geralmente um arame) e normalmente é realizada ao mesmo tempo que a poda. O tutor apóia a videira e permite que a seiva chegue a toda a planta. A vara é dobrada para que as folhas da videira fiquem bem distribuídas




Intervenções em verde


As intervenções em verde correspondem às operações realizadas na videira, quando esta se encontra no processo vegetativo. É útil para continuar a assegurar as melhores condições de desenvolvimento da planta e de amadurecimento dos cachos. Mas também é essencial para facilitar a aplicação dos produtos fitossanitários e facilitar a passagem das máquinas. Nas intervenções em verde importa destacar: a desponta (corte das extremidades da vegetação); a desfolha (corte dos ramos jovens e folhas desnecessárias para facilitar o amadurecimento dos cachos) e a monda de cachos (utilizada em videiras muito produtivas, consiste na eliminação de alguns cachos para melhorar a qualidade das uvas dos cachos que continuam na videira).




Tratamentos


A videira está sujeita a doenças (bactérias, vírus ou fungos que atacam a planta) ou pragas (quando animais, por exemplo insetos ou pássaros, causam estragos na videira). Algumas das doenças mais comuns são o míldio e o oídio que atacam os órgãos verdes da planta. Algumas das pragas mais habituais são a traça da uva (atinge os bagos em todas as fases de desenvolvimento), a cigarrinha verde e o aranhiço vermelho (causam prejuízos na folhagem). Para prevenir doenças e pragas, as videiras recebem tratamentos fitossanitários que variam dependendo da região, solo e tipo de casta plantada, e também no número de pulverizações e no tipo de fungicidas aplicados.




Rega


A videira necessita de água quando inicia o crescimento vegetativo, isto é, quando os bagos começam a crescer e na fase da maturação. Contudo, o excesso de água pode ser prejudicial, pois conduz a um crescimento anormal dos bagos e consequentemente a mostos pouco concentrados. Hoje, o sistema de rega gota-a-gota é bastante popular, pois permite controlar a quantidade de água depositada em cada videira. No entanto, existem vários locais onde as vinhas não são regadas regularmente. Na verdade, na maior parte, só em verões muito quentes e secos onde não é normal esse tipo de condições climatéricas se procede à rega da vinha.




Vindima


A altura de iniciar a vindima é determinada de acordo com o estado de maturação das uvas e as condições climatéricas. À medida que os cachos amadurecem, a acidez dos bagos diminui e os teores de açúcar aumentam. É possível fazer análises por amostragem e procurar determinar a data da vindima em função da acidez e do grau de álcool previsível. Em relação às condições climatéricas, é desejável que não chova, já que a água e umidade absorvida pelos cachos são transmitidas para o vinho.



Fonte: Infovini

BRAVIO DELLE BOTTI em MONTEPULCIANO – ITÁLIA.



Para quem gosta de viajar e aproveitar as festas típicas de cada região aqui vai uma dica de festa muito antiga.
Ocorre no último domingo de agosto o Bravio delle Botti. O desafio original entre as oito contradas (divisões) de Montepulciano que competem por uma bandeira pintada tendo que rolar um barril de aproximadamente 80 Kg por 1800 m na principal rua da cidade. O barril é rolado por dois atletas chamados “spingitori”.
A palavra “Bravio” deriva do vernáculo “bravium” e esta indica o “panno” (bandeira) pintada com a imagem do patrono da cidade – São Giovanni Decolatto – que é premiada a contrada vencedora desde os anos 600.



domingo, 5 de setembro de 2010

DESIGN E VINHO.



A designer sueca Matilda Ringnér Sünden, criou um objeto inovador para servir o vinho: Rainman.


É uma jarra de vidro, em forma vagamente cónica, cilíndrica, aberto na parte superior e furado na parede lateral (tipo um chuveiro). A abertura é, obviamente, para derramar o vinho, enquanto o lado de abertura para servir a copo.


Em primeiro lugar, este é um objeto de design, dadas as formas, transparência e beleza. Mas também pode ser usado para decantaçao e oxigenação do vinho - se for necessário.Na verdade ...Quando servimos a nossa bebida, com esse objeto, o vinho cai como "chuva" na taça, e isso aumenta a quantidade de vinho em contato com o ar, fenómeno que favorece a oxigenação do vinho e promove o "despertar" de perfumes e aromas, escondidos. Util? Deixo a resposta com você!

Você pode visitar o site Skruf Glasruks: http://www.skrufsglasbruk.se/

ALARME FALSO ! POUCA COISA MUDOU PARA OS VIAJANTES QUE TRAZEM VINHO DO EXTERIOR.

Toda vez que vejo uma notícia dizendo que haverá alívio tributário (o leão ficando mais manso???) fico desconfiado. Se isso envolver o vinho, então...
Vi, nos últimos dias, algumas notícias e postagens que davam conta que haveria "isenção" para 12 litros de bebida alcoólica trazidas por viajantes vindos do exterior. Preferi esperar a publicação das normas para tratar do assunto aqui. E, sem nenhum demérito àqueles que divulgaram de pronto a notícia, acho que fiz bem.
Analisando tanto a portaria como a instrução normativa, verifica-se que, a rigor, não houve uma "isenção" propriamente dita. As garrafas de vinho que você trouxer do exterior (de avião) continuam integrando o cômputo dos 500 dólares de isenção geral. Portanto, se você trouxe, por exemplo, um notebook de 500 dólares, não poderá trazer nenhuma garrafa de vinho com isenção.
O que mudou, na prática, foi a quantidade de bebida alcoólica que você pode trazer (são 12 litros) dentro da isenção. Mas não se trata de isenção específica para as bebidas alcoólicas. Isso tudo continua, como eu já disse, dentro dos 500 dólares. Antes, não havia uma quantidade normatizada.
Em 2008, o amigo João Filipe Clemente (se você ainda não conhece o excelente blog dele, clique aqui) fez uma bela postagem sobre isso, que contou com a complementação do Rafael, que se identificou como servidor da Receita Federal. Ali, o Rafael trouxe esclarecimentos no sentido de que cabia ao agente alfandegário avaliar se os vinhos trazidos teriam ou não destinação comercial. Pelo que se compreende da nova norma, não há mais essa necessidade, desde que observado o limite de 12 litros.
As normas trouxeram alguns avanços. Incluíram, na definição "bens de caráter manifestamente pessoal" uma câmera fotográfica, um relógio de pulso e um aparelho de telefone celular. Mas isso só vale se esses itens estiverem dentro daquilo que a norma chama de "compatibilidade com as circunstâncias da viagem"...


CONSUMO DE VINHO MELHORA RACIOCÍNIO.

Um estudo realizado na Universidade de Tromso, na Noruega, indica que o hábito de ingerir álcool moderadamente faz bem para o raciocínio - melhor ainda se a bebida for vinho. Voluntários que bebiam com moderação (quatro vezes ou mais por semana) se saíram melhor em testes medindo funções cognitivas do que os totalmente abstêmios ou que bebiam pouco (uma vez ou menos no mesmo período).
Foram avaliados mais de 5 mil homens e mulheres, com idade média de 58 anos. Os autores da pesquisa, publicada na revista Acta Neurologica Scandinavica, admitem que outros fatores não testados como dieta e profissão podem ter influenciado. Idade, nível de educação, peso e doenças foram considerados.
Em mulheres, o fato de não beber esteve associado a desempenho cognitivo “significativamente” mais baixo. “O maior risco de função cognitiva pobre esteve em abstêmios. Entre homens, resultados sugerem menos disfunção cognitiva em consumidores de vinho e cerveja”, diz o artigo. Os autores anotavam só a frequência do consumo, não a quantidade. As diferenças entre os sexos podem estar ligadas a diferentes níveis de consumo.
Não há consenso sobre o que pode causar o efeito benéfico do consumo de álcool. Poderia estar relacionado à presença de antioxidantes como os polifenóis ou até ao próprio álcool etílico, que fortaleceria as artérias e reduziria inflamações, melhorando o fluxo de sangue.

ENOCHATOS


QUE ME PERDOEM OS CHATOS
Josimar Melo, critico de gastronomia da Folha de S.Paulo.

Não existe enochato. Existe chato, e ponto.

Ouço às vezes pessoas se queixando de outras que seriam os "enochatos". Acho ruim esta designação, porque ela em geral supõe que uma pessoa que aprecia intensamente vinhos, estuda os vinhos, procura identificar suas características e qualidades, seria um chato. Seria o mesmo que dizer que alguém que ama cinema, que procura saber tudo sobre esta arte, que assiste a filmes atento a cada detalhe de iluminação, ritmo, atuação, que recorda cenas e falas inteiras, seria um chato, um "cinechato"!Absurdo.

O que faz uma pessoa chata não é ser fanática por vinhos ou cinema. O que faz uma pessoa chata é que ela é... chata por natureza! Não é capaz de medir as palavras e as ações, ou de adequá-las ao ambiente, às pessoas, ao momento que tem à sua volta. Não é capaz de respeitar outros interesses, não é capaz de perceber, e respeitar, o outro.Muita gente sente, sim, cheiro de estrebaria ou de piche ou de violeta ou de banana num vinho. Aromas produzidos por moléculas que, queiram ou não os céticos, estão ali, sim existem fisicamente. Se uns sentem mais, outros menos, não é defeito nem de uns, nem de outros. Mas eles existem, talvez detectados erradamente às vezes, mas não sempre.

Como reconhecer o chato, com ou sem copo na mão. Será mesmo que alguém é chato por sentir sabores balsâmicos num vinho, ou travo de taninos? Absolutamente não. E se ele estiver entre enófilos, numa degustação, e trocar estas impressões com outras pessoas igualmente interessadas no assunto, será um chato inconveniente? Mais uma vez, lógico que não.

Mas ele será certamente um chato se: Quiser monopolizar a conversa à mesa, numa refeição de família em que muitos estão tomando refrigerante, outros estão tomando vinho sem compromisso, outros são alcoólatras tentando se reabilitar e querem evitar o assunto, mas todos terão que ouvir por horas a descrição detalhada de cada gole dado pelo chato.

Durante uma festa, em que há interesses e conversas variadas, obrigar todo mundo a meter o nariz na taça dele para confirmar como realmente tudo o que ele está dizendo é verdade. No meio do jogo, quando o Robinho está prestes a fazer um gol de letra em sua reestreia pelo Santos, postar-se diante da TV para anunciar, como se fosse a cura do câncer, que ele descobriu um novo aroma que só se desenvolveu no copo agora, meia hora depois de aberta a garrafa. E por aí vai.

Mas veja bem: supondo que este mesmo chato seja proibido de falar de vinho; você acha que ele deixaria de ser inconveniente? Duvido.

Ele deve ter algum outro assunto que ache interessante, nem que sejam as novas e excitantes promoções no escritório em que trabalha. E você acha que ele vai deixar alguém almoçar em paz, beber em paz, assistir ao futebol em paz, sem contar detalhes de como aquela assistente enganou aquele chefe (na cama, certamente) para conseguir um cargo que nem merecia etc. etc.??Vejo que frequentemente, ao se referir a um amante do vinho como enochato, muita gente está se referindo ao fato dele dominar certa área do conhecimento (os vinhos) mais do que as outras pessoas, e que isso provoca desconforto. Como resultado, incentiva-se uma generalização perigosa: a ideia de que o conhecimento, a expertise, o aprofundamento em um tema seriam coisas de chato.Em outras palavras, dissemina-se a cultura da ignorância: as pessoas não devem conhecer muito. Basta achar um vinho gostoso, um filme divertido, e chega. Nada de pensar, analisar, discutir.Vamos com calma.

O elogio da ignorância sim é uma chatice. E perigosa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SELO FISCAL FICA PARA 2011.

Uma Instrução Normativa da Receita Federal publicada ontem no Diário Oficial da União prorrogou para 1º de janeiro de 2011 a implantação do Selo de Controle Fiscal para os produtores nacionais e importadores de vinho. Antes da mudança, a data limite para que a bebida pudesse sair das vinícolas, engarrafadoras e importadoras sem o selo era 31 de outubro.
A medida atende a um pedido das principais entidades representativas do setor vitivinícola brasileiro.
“Pedimos a ampliação do prazo porque a Receita estava com dificuldades de entrega do selo e porque as empresas teriam de mexer em seus estoques de vinhos para o final do ano, abrindo caixas e mais caixas para o selamento. Assim, não atrapalhamos o período de maior comercialização de vinho e espumante no país, que é o final do ano, e começamos vida nova a partir de 2011″, explica Júlio Fante, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).
O selo fiscal para vinhos e derivados foi instituído pela Receita por meio de Instrução Normativa publicada em 16 de abril. Inicialmente, o registro especial para obtenção do selo deveria ser solicitado até 31 de agosto. Agora, o prazo foi estendido até o último dia útil de outubro (30). Os selos a serem utilizados nos vinhos importados serão da cor vermelha combinada com marrom; os dos vinhos brasileiros, verdes com marrom.
Também mudou, de 1º de julho de 2011 para 1º de janeiro de 2012, o prazo para atacadistas e varejistas comercializarem vinhos com o selo.
“O objetivo do selo é aumentar o controle no comércio de vinhos, beneficiando quem trabalha dentro das obrigações legais e de mercado”, diz o diretor-executivo do Ibravin, Carlos Raimundo Paviani.




FONTE: Mauricio Roloff

sábado, 14 de agosto de 2010

STEVEN SPURRIER DE OLHO NO BRASIL.

Especialista em descobrir talentos no Novo Mundo, o crítico britânico Steven Spurrier está de olho no Brasil. Conhecido por ter conduzido, em 1976, o julgamento de Paris (degustação às cegas que confrontou rótulos franceses e norte-americanos e projetou os vinhos da Califórnia), ele afirmou em sua coluna na revista Decanter, edição de agosto, que “as vinícolas do sul do Brasil estão cheias de agradáveis surpresas”.



Sua boa impressão foi forjada na visita que fez ao estande verde e amarelo da 30ª London International Wine Fair, realizada em junho deste ano.


A menção ao país fica por aí, mas quem esteve na feira garante que Spurrier destacou a boa fruta em produtos pouco alcoólicos, a forma como os brasileiros acompanham bem a comida e a regularidade na qualidade dos nossos vinhos.

ENOTURISMO - LUGARES NO MUNDO PARA CONHECER.

Assim como é notório o crescimento de vinícolas ao redor do mundo, os "turistas do vinho" também acumulam centenas de seguidores, forçando a melhoria de serviços e de variedade gastronômica durante os eventos de degustação. O site da Fobers publicou uma lista com o top 10 de destinos internacionais de vinhos para se visitar. A pesquisa teve o acompanhamento de George Taber, autor de In search of Bacchus: wanderings in the wonderful world of wine tourism.

Confira abaixo o ranking:

1 - Castello Banfi, Toscana, Itália: a vinícola de Banfi teve início com John Mariani, um importador americano. Considerado um dos mais bonitos na Toscana, o lugar se orgulha de seu lindo castelo com dois grandes restaurantes, uma sala de degustação de vinhos e um tour pela adega.

2 - Montes, Vale do Colchagua, Chile: A Viña Montes é dos mais conhecidos produtores chilenos e, segunto Taber explica, a única vinícola do mundo, que ele tem conhecimento, onde os vinhos são envelhecidos com cânticos gregorianos sendo entoados ao fundo.

3 - Ken Forrester, Stellenbosch, África do Sul: Stellenbosch é considerada uma das áreas de vinho mais bonitas do mundo, com um clima mediterrâneo. O produtor Ken Forrester realizou diversas viagens até o vale do Loire, na França, antes de aplicar a sua especialidade na terra natal, na África do Sul.

4 - Fournier, Mendoza, Argentina: "A vinícola está a poucas milhas dos Andes, então é possível observar os topos das montanhas cobertos de neve ao longo do ano", destacou Taber. O lugar tem um estilo moderno, quase como uma nave espacial que aterrissou no meio do deserto.

5 - Leeuwin Estate, Margaret River, Austrália: "É como uma pequena bolsa que consegue fazer vinhos excelentes", descreveu Taber. "É uma área maravilhosa com florestas, pouco povoada e um ótimo serviço".

6 - Felton Road, Central Otago, Nova Zelândia: Relativamente nova neste universo, a Central Otago é a região de vinhos mais sulista do planeta. Algumas áreas, como o Gibbston Valley, são esteticamente mais agradáveis do que outras, mas os degustadores podem aproveitar as estrelas da pinot noit da região, como o Carrick, Mt. Difficulty, Akarua e Felton Road.

7 - Bodegas Ysios, Rioja, Espanha: A área ficou famosa com o passar dos anos devido à arquitetura que lembra as obras do canadense Frank Gehry. "Projetada por Santiago Calatrava, a Bodegas Ysio traz as montanhas logo atrás e também produz ótimos vinhhos", explica Taber.

8 - Quinta do Portal, Douro, Portugal: Para chegar até esta vinícola, faça uma viagem de carro. Se planeja provar mais do que uma taça de vinho, é melhor pensar em passar a noite. "O hotel para os hóspedes possui vistas lindas", indica Taber.

9 - Château Lynch-Bages, Bordeaux, França: Bordeaux é conhecida por produzir alguns dos melhores vinhos do mundo. Mas a região não é famosa por belas vistas ou experiências amigáveis com turistas. A Lynch-Bages é uma exceção, com um hotel, restaurantes e shopping.

10 - Peter Jakob Kuhn Oestrich, Mosela, Alemanha: Considerado um dos lugares mais românticos do mundo, a vinícola se encontra numa área de castelos sobre as montanhas e vizinhança cordial. "Os vinhos agora são os melhores e mais consistentes de todos os que eles já fizeram", complementa Taber.

MICHAEL BROADBENT, COLUNISTA DA DECANTER

Os desafios mais recentes da indústria de vinhos são os grandes empresários e a falta de conhecimento do consumidor. Quem afirma é Michael Broadbent, colunista da Decanter, em entrevista comemorativa de sua 400ª publicação.

"O que eu sinto é que os consumidores nunca tiveram tantas opções, mas também nunca estiveram tão confusos", declarou. "O mundo todo tem produzido um bom padrão de vinhos, e eles (consumidores) precisam de alguma orientação".

Broadbent, que escreve sobre vinhos há mais de 50 anos, disse ainda que percebeu inúmeras mudanças na indústria ao longo dos anos, mas não concorda com os rumos que têm sido tomados.

"Parece que os grandes empresários estão tomando conta e eu não gosto do modo como as coisas caminham", afirmou. A primeira coluna de Broadbent foi publicada na Decanter em fevereiro de 1977, intitulada Michael Broadbent's Tasting Notes. A edição de número 400 está prevista para setembro, com um retrospecto de sua carreira na indústria.

UMA PEQUENA FESTA.


Inicio da noite de domingo. Após dois dias de aulas chegamos ao momento comemorativo de encerramento do 1º curso de degustadores oficial da FISAR, uma pequena festa.

Um curso diferente desde sua organização e local.
A proposta sugerida pela FISAR era realizar um curso para os apaixonados do vinho e profissionais da área com os quais pudéssemos desenvolver as técnicas de degustação e aprimorar os conhecimentos do mundo vitivinicola. Não seria apenas uma degustação dirigida de algumas poucas horas, mas um encontro no qual pudessemos realmente fazer com que o participantes reconhecessem nos sentidos aquilo que lhes proporciona prazer no vinho (e inclusive reconhecer os defeitos da bebida).

Nossa primeira tarefa foi definir o local onde seria realizado o encontro. E aí contamos com o empreendedorismo de Normélio Ravanello. Proprietário de uma jovem e belíssima vinícola em Gramado, Normélio não mediu esforços para que nosso projeto tomasse forma. Acelerou a finalização de suas obras e criou um dos mais belos espaços de encontro, aula e degustação de nossa região. A primeira etapa de nosso projeto estava definida, precisaríamos agora apresentar o curso as pessoas e convidá-las a participar do curso. Esta foi a tarefa mais fácil, pois o primeiro anuncio do curso fez correr um comentário boca-a-boca que nos obrigou a uma decisão difícil – deveríamos limitar o número de participantes ao máximo de 30 pessoas. Em pouco tempo estavam definidos os participantes do curso e enquanto aguardávamos a data iríamos resolvendo outros detalhes do encontro.


Para aprontar uma degustação de algumas horas é necessária uma organização grande, imagine prever um encontro de dois dias na qual precisaríamos mais de 150 taças de degustação ISO, água, coffe break, material didático (apostilas, livros, fichas de avaliação dos vinhos, data show), certificados diretos da Itália, 50 garrafas de vinhos espumantes, brancos e tintos, preparação do jantar de encerramento, etc. Mas acabamos desenvolvendo uma boa experiência nos wine dinners realizados mensalmente no San Tao e conseguimos materializar com tranquilidade a segunda parte do nosso sonho.

Local definido, estrutura montada e grupo formado, chegamos ao início das aulas.
A didática de Roberto Rabachino, experiente professor universitário, chamou a atenção dos participantes. Mesmo que sua apresentação seja proferida em italiano (o que traz um charme as aulas), ele se faz compreender como todo grande mestre. Mas sempre acompanhado das traduções simultâneas por parte do instrutor técnico e enólogo Jefferson Sancineto Nunes, podemos dizer que tivemos dois grandes professores.

A primeira etapa deste percurso didático era apresentar a técnica de degustação, as sensações proporcionadas pelo vinho e o reconhecimento de que cada participante ali presente era capaz de avaliar tecnicamente um vinho, como qualquer profissional o faz. A segnda parte da nossa teoria foi referente à explicação do processo de produção dos espumantes e por fim a explicação da ficha de avaliação de espumantes.

Terminada a teoria do primeiro dia, iniciamos com a degustação de espumantes e como todos encontros promovido pela FISAR, o serviço dos vinhos é realizado por sommeliers formados (conceitualmente, para FISAR, o bom serviço do vinho faz parte da dinâmica de aprendizado).
Surgiram então as primeiras descobertas. Alunos opinando sobre as características dos vinhos, definindo padrões de qualidade como se já conhecessem o assunto há muito tempo. Todos que já passaram por essa experiência em aprender a reconhecer as cores, aromas e gostos do vinho e entender os seus significados sabem que é um momento único, de realização e prazer.

Encerramos esse nosso primeiro dia pontualmente as 19:30h, mas já anciosos para as descobertas do dia seguinte.
Com a turma pronta para as atividades do segundo dia, iniciamos com um giro pelo mundo vitivinicola. De maneira pontual foram apresentadas as principais características dos paises vitivinicolas, com uma especial ênfase a Franca e Itália, os dois principais produtores de vinhos de qualidade no mundo.
Após essa viagem pelo mundo, pudemos visitar a cantina Ravanello, guiada pelo nosso anfitrião, e verificamos o grau de dedicação e investimento que foi empregado. O mesmo maquinário encontrado nos grandes Chateau franceses ou nas Cantinas italianas estão sendo utilizados aqui. O caminho na busca do vinho de qualidade foi visto em loco.
Após a visita, tivemos uma aula técnica com o enólogo Jefferson que apresentou o processo de produção de vinhos. Os cuidados da planta, na colheita e processos diversos de produção forma detalhadamente apresentados permitindo que entendêssemos o significado e o resultado daquilo que encontramos na taça. Por que os aromas tem determinadas características? a cor representa o que? Como reconhecer na pratica as características do terroir ? foram as pistas apresentadas para iniciarmos nossa seção de degustação do segundo dia.
Iniciamos com vinhos brancos – sauvignon blanc, gewurztraminer, podemos comparar 3 chardonnays com características distintas – vinhos rosés e por fim os vinhos tintos. Aqui foi apresentado a realidade do vinho nacional, vinhos de qualidade e excelente estrutura capazes de responder por si ao antigo preconceito de que vinho brasileiro não é bom. Rabachino, um reconhecido divulgador da qualidade do vinho brasileiro pelo mundo, foi o primeiro a reconhecer a merlot como a grande cepa nacional, isso já fazem 5 anos.

Terminada a aula, todos felizes e satisfeitos puderam um a um cumprimentar o “maestro” - como passou a ser chamado no transcorrer das aulas - durante a entrega dos certificados e por fim iniciamos nosso jantar de encerramento organizado pela equipe do restaurante San Tao. Chegamos novamente neste momento – nossa pequena festa.
Um abraço a todos e ate um próximo curso.

O VINHO COMO NEGÓCIO.

A fase complicada da economia mundial tem feito com que empresários busquem outros tipos de mercado para investir. Quem ganha com essa situação é a indústria vinícola. Isso porque o vinho surge como uma boa opção de negócio, a partir de resultados positivos obtidos com a venda das bebidas, principalmente nos Estados Unidos. Pesquisas indicam que o consumo de vinhos no país aumentou 0,8% (297 milhões de garrafas) em relação ao ano passado. O valor representa o 16º ano consecutivo de crescimento, informa o Beverage Information Group’s 2010 Wine Handbook.
As vendas domésticas americanas cresceram em 1,8% (em torno de 222,7 milhões de garrafas), alavancando as importações. Ao mesmo tempo, países como Chile, Nova Zelândia e Portugal também apresentam bom desempenho em suas vendas.

“Enquanto o país tenta se recuperar da recessão, a indústria de vinhos segue numa direção bastante positiva”, declarou Eric Schmidt, diretor de serviços de informações do Grupo Beverage Information. “Esperamos ver um aumento no consumo de vinhos para 310,7 milhões, em 2014”.

A pesquisa notou ainda que a crise econômica também modificou o perfil dos consumidores. Agora, há uma procura maior por vinhos mais baratos, assim como mais práticas de barganha online, principalmente entre os clientes na faixa dos 21 a 33 anos.

Os investidores irlandeses, por sua vez, também tomaram conhecimento da situação e apostam suas fichas no vinho fino, ao mesmo tempo em que diminuem outras formas de negócios.

O empresário James Nicholson, que oferece um número variado de serviços pela internet - através do site JNwine.com -, informou que os consumidores garantem um retorno anual aproximado de 23% para as cartas de vinho do endereço eletrônico.

"A queda da economia, especialmente o baixo retorno do mercado de ações e propriedades, estimulou as pessoas a olhar para outras direções e o vinho tem chamado cada vez mais atenção como produto, o que nos dá a expectativa de aumento do seu valor", explicou James Nicholson. "A bebida tem apresentado uma boa performance ao longo dos anos e, apesar de uma correção em 2008, registrou um crescimento satisfatório desde então, com muitos vinhos obtendo resultados melhores do que anteriormente".

FONTE: WINE REPORT

MUDANÇA CLIMÁTICA MODIFICA VITIVINICULTURA NA AUSTRÁLIA.



O ano de 2010 foi o mais quente dos últimos 20 anos na Austrália. O calor foi tanto que, em algumas regiões do país, as uvas foram colhidas antes do normal para que não ficassem sobremaduras. Brian Coser, fundador da Tapanappa, disse que os vinhos desta safra deverão ser “mais frutados, porém com menos elegância, estrutura e acidez do que em anos mais frescos”.

Regiões mais quentes do país, como os vales do Barossa e de Mc Laren, no entanto, por serem naturalmente mais quentes, não deverão sofrer tanto com o calor como lugares tradicionalmente mais frescos, como Wrattonbully, o vale de Piccadilly e a península de Fleurieu. Nos vales do Barossa e de Mc Laren, conhecidos pelo sabor de fruta bem madura dos seus vinhos, o calor de 2010 deverá inclusive realçar estas características.

MERCADO ASIÁTICO DE VINHOS EM BAIXA.



Os altos preços dos vinhos e a falta de confiança no sistema de vendas en primeur (quando o consumidor compra a bebida antes que ela chegue ao mercado) frustrou as expectativas de que o mercado asiático comprasse boa parte da produção da safra 2009 de Bordeaux. Embora tenha havido um crescimento nas vendas em relação a 2008, o resultado ficou bem aquém do que imaginavam os produtores e negociantes franceses.

Bastante desapontado, o negociante Laurent Ehrmann disse que a expectativa de que os asiáticos caíssem matando em cima dos estoques era “fantasia de europeu”. E completou: “as vendas cresceram, mas eles até estão comprando, mas não qualquer vinho e a qualquer preço”.